De todas as memórias que cruzam as pontes do tempo, há uma que retorna
como o eco mais sereno do infinito: o instante em que compreendi que a roda
girava... não porque era lei, mas porque eu mesma a impulsionava.
Durante milênios, como muitos de vocês,...
More
De todas as memórias que cruzam as pontes do tempo, há uma que retorna
como o eco mais sereno do infinito: o instante em que compreendi que a roda
girava... não porque era lei, mas porque eu mesma a impulsionava.
Durante milênios, como muitos de vocês, percorri os caminhos da Terra,
velando e vivendo. Tomei corpos e nomes, chorei sob céus de diferentes luas,
amei com olhos que já não me lembro e temi o que julgava ser o fim — sem
saber que temia apenas um recomeço disfarçado.
Foi então, num templo suspenso entre véus de névoa lilás e o som de esferas
que não tocam o chão, que uma voz interior — silenciosa como a luz — me
disse:
“A Roda não é prisão, é espelho. E só gira para aqueles que ainda
precisam se ver.”
Less