Dona Branca de Almeida Garrett PRÓLOGO DA SEGUNDA EDIÇÃO Publicando esta nova edição de Dona Branca, a primeira que se faz em Portugal depois de umas quantas francesas e brasileiras, pareceu-me dever pôr aqui alguma memória, tanto da primeira composição do...
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Dona Branca de Almeida Garrett PRÓLOGO DA SEGUNDA EDIÇÃO Publicando esta nova edição de Dona Branca, a primeira que se faz em Portugal depois de umas quantas francesas e brasileiras, pareceu-me dever pôr aqui alguma memória, tanto da primeira composição do poema, como da presente forma com que hoje se reproduz. E consintam-me, antes de tudo, o desabafo de dizer que nenhum homem ainda fugiu tanto ao seu destino como eu; nenhum porém foi tão perseguido do «inevitabile fatum» que me não deixou. De criança me tentaram e namoraram as musas, e de criança lhes resisti sempre, com mais severo pudor do que o casto José, deixando-lhe por vezes nas mãos lascivas a capa virginal de minha pudicícia, e fugindo com mérito e virtude verdadeira, porque fugia a deleites suspirados, ardentemente desejados de minha alma. Imberbe ainda, na universidade, macerei os desejos rebeldes com jejuns e cilícios; estudando muito direito romano, teimando no Euclides e no Besout, fazendo impossíveis, e conseguindo, du
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