Laços de afeto e dilacerações do ofício
Por Valmir Santos
Os sujeitos de “Metrópole” antagonizam o ensimesmar-se e a extroversão. Eu
e mundo. Afeto e dilaceração. Casa e cidade. Íntimo e urbano. Os movimentos
da vida que há anos separaram os irmãos agora...
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Laços de afeto e dilacerações do ofício
Por Valmir Santos
Os sujeitos de “Metrópole” antagonizam o ensimesmar-se e a extroversão. Eu
e mundo. Afeto e dilaceração. Casa e cidade. Íntimo e urbano. Os movimentos
da vida que há anos separaram os irmãos agora despontam invertidos.
Caetano, o ressentido com o teatro, recebe em sua toca a visita de Charles, o
jovem ator que o incita a obstinar como d’antes. Em vão?
O texto de Rafael Barbosa mergulha nessa dissonância geracional sem fechar
questão para o desassossego ou o desencanto. Deixa que as possibilidades se
digam e contradigam. Concretas e subjetivas. Em nome do pai que cindiu os
caminhos dos irmãos e da arte que os mantém conectados pela esfera do
sensível.
Mesmo quando a escolha recai sobre o afastamento, não se vive mais
impunemente após pisar o território artístico. Cinco anos distantes do palco
sublimando o ato de cozinhar bolos, doces e salgados não demovem o
indivíduo daquele oceano. Barbosa encontra na angústia da desesperança o
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